sábado, 24 de dezembro de 2011

Quase todas as manhãs o despertador toca de novo de nove em nove minutos. É tão molesto no seu ruído que raramente o deixo tocar mais de uma vez.
Acabou o Advento, acabou a preparação. Chegou a festa porque nasceu a Razão da festa. O próprio do Advento é que acabe e que dê lugar a Quem ele não é digno de contemplar. O Advento caminha e fica à porta. O Natal entra-nos no coração. É Natal. Feliz Natal. Chegou por fim O que esperávamos. Valeu a pena esperar. Valeu a pena porque a alma não era pequena, e Deus não falha nunca o encontro.
Santas Festas da Natividade do Senhor.
Mesmo quando não se quer o tempo marcha em frente e o calor dá lugar ao frio. Vem depois a queda das folhas e a crise. Ou o inverso, não sei. Diligentes os Pais Natal começam a trepar paredes. Seguem-se-lhes luzinhas e mais luzinhas e enfeites. Não muitos que a vida está cara. Ainda não era Natal, mas por que já nada importa como seja cantava-se o natal comercial, que alguma coisa tem de se comprar, com algo temos de contribuir para a felicidade de alguém.
Mesmo que quiséssemos a roda do tempo não pára. E não parou.
Dentro das igrejas o tempo era mais austero, tinha cheiro a espera e a maranatha e também não parava.
Vem, Senhor Jesus. Rezávamos. Vem depressa, Senhor. Cantávamos.
O tempo também é de Deus. Apesar de Deus não sair para as compras nem ter loja para vender. Deus é grátis, mas não sai ao nosso encontro num qualquer talão de compras como desconto.
Deus nasce grátis na plenitude do tempo certo. Basta esperá-Lo, erguer os olhos para o alto. Fazer um deserto onde só pode morar a verdade que nos vai assinalando a Sua chegada à medida do acender ritmado das velas.
Ardendo morrem as velas que nos foram colorindo os dias e os cantos, as orações, as esperanças e os desejos de que Deus viesse.
Morrendo a luz reacendeu-se a esperança e o alerta da sentinela rasgou os ares. Era tempo de preparar a vinda do Senhor. O primeiro alerta trazia-nos um grito: Acordai! Estai vigilantes! Acordai, enfim, que nada garante que o hiperactivismo não seja um estado de sonolência e até bem profunda!
O arauto cumpriu a função elevando um grito de alerta. Porém, não nos basta sair do doce sonambolismo para a dureza do despertar. É preciso despertar e agir. Porque o Senhor quer vir. E é preciso preparar os caminhos.
João Baptista recordou-nos a necessidade de aprender a viver de esperança, que se o vazio nos tocar devemos ser capazes de crer que a vida tem sentido. Que mesmo quando não vemos a luz ao fim do túnel não podemos desistir do caminho, de preparar o caminho, pelo qual o Senhor vem ao nosso encontro. Pelo qual vamos nós também ao seu encontro.
Não há palavra mais aberta que o sim, aquele sim que fermenta, clareia e ensina todos os sins, aquele que amplia o interior a fim de que Deus possa actuar em nós como Deus.
Dos lábios da Mulher brotou um sim como um acto de fé que afirma a vida e confia em Deus. Sim, Deus chegou finalmente no ventre duma mulher que no-Lo deu à luz. Eis, que depois duma longa noite de espera o Desejado nasceu!
Cantem, cantem os Anjos a Deus um hino.

Cantem, cantem os Homens ao Deus Menino.
Cantem, cantem os Anjos a Deus um hino.
Cantem, cantemos todos ao Deus Menino!
A palavra dos profetas se cumpriu. O sim se revelou verdadeiramente fecundo. No horizonte da noite brilhou a Luz, no céu cantaram-Lhe os anjos. Os animais deram-Lhe o seu bafo quente e os humanos seus ais.
Como numa respiração eterna Ele nasce hoje como um dia novo e um alento poderoso.
É de novo Natal. Recomeçam as correrias, renovam-se as famílias porque um Filho nos foi dado, um Menino nos nasceu. Ele é inteiramente Deus e inteiramente homem. As suas mãos são como as nossas mãos, os seus pés como os nossos pés. Ele é nosso, nós somos Dele.
É Natal, é tempo de celebração. Tempo de amor. Tem de amar e de reamar. De sorrir. De deixar a alma sonhar e voar alto, de pedir boleia e subir pela escada do incenso.
É Natal, é tempo de descobrir em nós bons sentimentos e possibilidades, de romper as cadeias que nos separam da divindade.
É Natal, é tempo de beijar a mão que nos conduzirá pela via da verdade. É tempo de entrega e doação, generosidade e fraternidade, compaixão, perdão e sobretudo amor.
Irmãos e irmãs, é Natal!
Como foi bom preparar o Natal, esperar o Natal, sorrir pelo Natal.
Valeu bem a pena preparar e esperar o Natal. Valeu bem a pena!
Em nome do coração de Deus que late no coração do divino Filho: Feliz Natal para todos!

Chama do Carmo I NS130 I Dezembro 25 2011
 

Sem comentários: