quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ano da Fé surge como ocasião de a professar todos os dias

"Se é esta a nossa fé, a fé da Igreja que nos gloriamos de professar em Jesus Cristo nosso Senhor, então não nos cansemos de a professar do fundo do coração, hoje e em todos os dias deste Ano da Fé". O desafio foi deixado à diocese de Viana do Castelo por D. Anacleto Oliveira, na mensagem que dirigiu na grande celebração de abertura do Ano da Fé, no adro da Agonia, em Viana, e nas sedes dos outros nove arciprestados que mobilizaram milhares de católicos em missa "única".
O dia não nasceu favorável à mobilização, em virtude da forte chuva que se fazia sentir, contudo, perto da hora da celebração, uma única missa por arciprestado, a chuva parou, o sol apareceu e permitiu que celebrasse a Fé com grande e entusiasta participação.
Com três momentos de silêncio, D. Anacleto desafiou a Igreja do Altominho, os homens e as mulheres que nela "militam", a descobrirem "qual o caminho a seguir para acolhermos a sua Palavra e n’Ele acreditarmos" advertindo que se trata de "um caminho duro", mas que "vale a pena percorrer" dada a "maravilhosa é a meta a que nos conduz".
Partindo do texto de Evangelho do domingo, o Prelado começou por sublinhar que é necessário expor-se a um questionamento pessoal diante de Cristo acerca do que fazer para alcançar a vida eterna. A pergunta é essencial porque, observa, "não está em jogo um simples aspecto, mesmo fundamental, da vida, mas a vida no seu todo", dado que, como escreveu o Bispo na Carta Pastoral, "vivemos, na medida em que lutamos contra a morte e tudo aquilo que a ela pode levar – uma luta de todos os dias e com todos os meios ao nosso alcance".
O primeiro momento de silêncio serviu para "aguardar" a resposta de Cristo que aponta para os "mandamentos" que integram aliança estabelecida por Deus com o seu povo, "para lhe garantir uma vida duradoira e feliz". Muitos de nós, reconhece o Bispo diocesano, sabem-nos de cor, desde crianças e outros conhecem-nos pela experiência da vida.
Segundo Jesus, a via para chegar à vida eterna passa pelos mandamentos que se resumem no amor ao próximo, "um amor que exige o máximo respeito pelo bem dos outros" e por mmim próprio, sublinhou o Prelado. Contudo, ainda falta algo para a tão desejada dimensão "eterna" na nossa vida.
Novo momento de silêncio para acolher a resposta de Cristo apresentada em "imperativos" cujo principal é: "segue-me". A partir de agora, adianta o Prelado, "optar por Deus significa optar por Jesus e vice-versa. Significa acreditar no Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, como único Deus vivo e verdadeiro, o único que pode satisfazer a nossa profunda fome e sede de vida. Só assim Ele reina sobre nós e em cada um de nós: se, pela fé, a Ele nos submetermos, com tudo o que temos e somos".
Esta radicalidade nem sempre se torna caminho, fazendo o homem a opção pelas suas suas riquezas, uma tentação muito frequente nos nossos dias e, advertiu, da qual "nenhum de nós está totalmente livre".
Novo momento de silêncio para atender à "reacção" de Jesus.
Ao anunciar as dificuldades do que estão presos às riquezas, Cristo deixa "estupfactos" os discípulos, a quem, chamando filhos, garante que a Deus tudo é possível.
"Mas se a Deus é possível, tem de o ser igualmente para aqueles nos quais Ele reina pela fé", sublinhou D. Anacleto Oliveira, aplicando-o à vivência de situações dramáticas do nosso tempo como a tentação de um aborto, de um divórcio e de desamparar os velhos pais.
Frisando que "tudo é possível a quem acredita", D. Anacleto desafia a "mulher grávida de um filho inesperado e indesejado" a escutar Deus que pede: "não permitas que matem o fruto do teu ventre, porque toda a vida vem de Deus". Exorta o casal tentado a divorciar-se a não se precipitarem, "para vosso bem e o bem dos vossos filhos, mas recorrei ao Deus da misericórdia e do perdão, que tudo pode".
Fala aos filhos, cujos pais se tornaram um peso, pela idade ou a doença, pedindo que lhes dêem "todo o apoio e carinho, pois foi por meio deles que Deus vos deu a vida que tendes".
Deus, salientou o Bispo, diz a cada um dos seus discípulos para não se acomodar egoisticamente ao seu bem-estar, mas para partilhar com os outros os dons e bens que recebidos de Deus, a quem tudo pertence.
O Senhor Jesus diz-nos, enfatizou o Prelado vianense, perante desgraças que se podem abater sobre nós: "não desespereis, pois foi no maior fracasso da minha vida terrena, a morte na cruz – foi então que eu mais me confiei a Deus meu Pai. Por isso aqui estou vivo e glorioso, para vos ajudar".
"Rezemos-Lhe, - incentivou - no silêncio dos nossos corações, como o pai da criança com o espírito mudo: Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé".


Foto e texto do Jornal Notícias de Viana
 

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